sábado, 8 de agosto de 2009

Sobre Gramáticos e Revisores

Os gramáticos são entidades dotadas de um grande poder. Eles tem o poder para baixar leis sobre como as palavras devem ser escritas e sobre como elas devem ser ajuntadas. Seu poder vai ao ponto de poderem estabelecer que uma certa palavra existe ou que tal palavra não existe. Quando a dita palavra aparece num texto eles a desrealizam por meio de uma palavra latina “deleatur”, afirmando que se trata de um simples fantasma. Foi o que aconteceu com a palavra “estória”. Atreva-se a escrevê-la! Os “revisores”, policiais da língua que cumprem as ordens dos gramáticos, logo a transformam em “história”, assumindo que o escritor a escreveu por ignorar que ela foi a óbito.

Os revisores são seres obedientes: cumprem e fazem cumprir as leis ditadas pelos gramáticos. Saramago descreve a sua condição como seres “ atados de pés e mãos por um conjunto de proibições mais severas que um código penal”. Olhos de falcão, tem de estar atentos aos mínimos detalhes. Sua concentração nos detalhes é de tal ordem que, por vezes o sentido do texto, aquilo que o escritor está dizendo, lhes escapa.

Aconteceu comigo. Escrevi um livro O poeta, o guerreiro, o profeta. O argumento se construía precisamente sobre a diferença entre “estória” e “história”. Num capítulo era “estória”. No outro era “história”. Se ele, o revisor, tivesse prestado atenção naquilo que eu estava dizendo ele teria notado que o aparecimento alternativo de “estória” e “história” não podia ser acidental. Mas ele, obediente às leis dos gramáticos, transformou todos os “estórias” em “história”, tornando o meu livro gramaticalmente correto e literariamente em “non-sense”.

Numa outra ocasião o revisor enquadrou na reforma ortográfica uma fala do Riobaldo, que eu citava. Ficou divertido ler Riobaldo, jagunço de muitas mortes, contando seus casos com fala de professora primária.

Saramago tem medo dos revisores. Não permite que eles metam o bedelho nos seus livros para enquadrá-los às regras da gramática. Desprezando vírgulas e pontos ele vai em frente consciente de que seus leitores são suficientemente inteligentes para colocar as virgulas e os pontos nos lugares que sua respiração e o sentido determinarem.

Mas o escritor português sabe que os revisores são pessoas que sofrem. Deve ser terrível viver o tempo todo sob a tirania das leis dos gramáticos e sob a tirania do texto do autor a que eles tem de se submeter, sem dar sua contribuição pessoal. Afinal de contas o revisor não gosta de ser revisor. Ele queria mesmo é ser escritor.

Compadecido do sofrimento dos revisores Saramago escreveu o livro História do cerco de Lisboa . Pois nesse caso o revisor do dito livro que, se não me engano, se chamava Raimundo Silva, se rebelou contra o seu destino e resolveu fazer história. No lugar onde o autor escrevera que os portugueses foram ajudados pelos cruzados, Raimundo Silva inseriu um “não” entre os “portugueses” e o “foram” o texto ficou “e os portugueses não foram ajudados pelos cruzados…”

Assim, contrariamente ao que já disse, fico a pensar que talvez o poder dos revisores seja maior que o poder dos gramáticos: com uma única palavra eles podem mudar o mundo ou arruinar um livro…

http://novasvisoes.com.br/fernandotorres/2009/01/sobre-gramaticos-e-revisores-rubem-alves/

sábado, 18 de julho de 2009

Mudanças ortográficas

Trema
O trema foi abolido de todas as palavras da língua portuguesa. Essa marcação servia, originalmente, para destacar a pronúncia do u nas combinações que, qui, gue e gui. A partir de agora, portanto, escreve-se aguentar, alcaguetar, ambiguidade, bilíngue, cinquenta, consequência, eloquente, enxágue, equestre, frequentar, linguiça, linguística, pinguim, sequestro, tranquilo, ubiquidade, etc.Porém, o trema é mantido em nomes próprios estrangeiros e suas derivações, como Bündchen, Schönberg, Müller e mülleriano, por exemplo.

antes agora

cinqüenta cinquenta
tranqüilo tranquilo
enxágüe enxague
pingüim pinguim

Abril.com

sábado, 11 de julho de 2009

A importância da pontuação


Um homem rico estava muito mal. Pediu papel e pena. Escreveu assim:
Deixo meus bens à minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do padeiro nada dou aos pobres. Morreu antes de fazer a pontuação. A quem deixava ele a fortuna? Eram quatro concorrentes.
1) O sobrinho fez a seguinte pontuação:Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.
2) A irmã chegou em seguida. Pontuou assim o escrito:Deixo meus bens à minha irmã. Não a meu sobrinho. Jamais será paga aconta do padeiro. Nada dou aos pobres.
3) O padeiro pediu cópia do original. Puxou a brasa pra sardinha dele:Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga aconta do padeiro. Nada dou aos pobres.
4) Aí, chegaram os descamisados da cidade. Um deles, sabido, fez estainterpretação:Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga aconta do padeiro? Nada! Dou aos pobres.
Assim é a vida. Nós é que colocamos os pontos. E isso faz a diferença.

Como escolher SEU revisor

Quer acertar na primeira?Se você tem compromissos como eu, a leitura de uma caixa de mensagens abarrotada não está na sua lista de prioridades.Porém, a cada solicitação de orçamento, este é o risco que você se dispõe a correr.Para fazer melhor uso de seu precioso tempo – e suado $$$! - seguem dicas simples, práticas e comprovadas para uma escolha eficaz:1. Selecione Apenas os Melhores CandidatosPara garantir o sucesso de seu empreendimento, você precisa encontrar o profissional ideal. Infelizmente, a maioria das pessoas aborda o tema com base na pergunta:"Como posso encontrar o serviço mais barato?"Tal atitude revela certo desconhecimento sobre o que faz um projeto 'decolar'.Primeiramente, a pergunta está equivocada. O profissional 'mais em conta' dificilmente será o mais confiável, mais rápido ou experiente.A pergunta deveria seria:"Como posso ter acesso a uma pessoa talentosa no ramo de revisões – que me sirva sempre que eu necessitar – e que garanta um trabalho de qualidade?"Desta forma, ao invés de um mero prestador de serviços, você conseguirá um parceiro interessado no sucesso de todos os seus empreendimentos!2. Estabeleça o Quanto Quer Pagar"Ué... mas você não acabou de afirmar o contrário?"Absolutamente. Seguindo o raciocínio anterior, é hora de encontrar o valor médio do mercado. Logo abaixo demonstro o que fiz ao analisar a concorrência em meu ramo de negócios.Em posse do valor médio praticado, analise seu orçamento e compare Custo X Benefício com base no diferencial dos candidatos. Se puder pagar um pouco acima da média, certamente atrairá os melhores talentos.Este tipo de profissional costuma estar disposto a andar aquela segunda milha que faz a diferença, pois costuma estar interessado nos detalhes que geram credibilidade através do 'boca-a-boca'.Pense nisto: Há um mercado dinâmico em disputa, e o seu voto de confiança passa a ser um fator decisivo.3. Faça do Seu Projeto Uma Boa CausaComo escritor, me emociono a cada telefonema de alguém me perguntando o que deve fazer para publicar um livro.Ainda ontem, minha amiga Lúcia me ligou dizendo que uma de suas vizinhas havia escrito um livro (na verdade, 'manuscrito') e que ela havia emprestado o computador para que a moça o digitasse.Mesmo sem conhecer a autora em potencial, sei que é uma pessoa de carne e ossos – talvez mais carne, talvez mais ossos – e cheia de sonhos, tal como eu.A jovem estuda pela manhã, trabalha num supermercado – e ainda escreve todas as noites!Ao esclarecer alguns passos para sua primeira publicação – digitação, revisão, edição, opções de patrocínio, noite de autógrafos – me ofereci para fazer a revisão da obra.Fica a pergunta: Quanto VOCÊ cobraria pelo serviço?Se pensou "Nem um centavo!", estamos no mesmo barco.Antes mesmo de conhecer o trabalho da moça, já sou seu fã. De sua força de vontade, determinação e empenho.Reparou que ela tem algo mais do que apenas ‘um livro a ser publicado’? Ela tem uma verdadeira causa a defender......e já conquistou um aliado.Ao abordar assim seu revisor (Viu? Além do 'seu' dentista, médico, advogado, você já pode dizer: "Vou consultar 'meu' revisor...") ele pode 'comprar' a idéia do seu projeto, e te defenderá de corpo e alma.Um Exemplo PráticoExamine os detalhes do orçamento abaixo. Lembre-se que o 'diferencial' deve ser determinado por você.Qual revisor você escolheria?Nome Profissão Referência Preço Prazo DiferencialRev.A Jornalista Colunista 5,00 10 dias PrazoRev.B Escritora Acad. Letras 4,50 15 dias ProfissãoRev.C Professora Trab. Acad. 4,00 30 dias PreçoAgora é a sua vez:Ponha a mão na massa, e faça a sua escolha. Então, passe a bola adiante, e vá se dedicar aos outros aspectos do seu projeto!Afinal, se está planejando contratar um revisor, aposto que tem uma causa muito grande à qual se dedicar...Aquele Abraço!

Charlles Nunes

Publicado no Recanto das Letras em 18/07/2006Código do texto: T196554

30 dicas para escrever bem


1. Deve evitar ao máx. a utiliz. de abrev., etc.
2. É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita demasiadamente rebuscado. Tal prática advém de esmero excessivo que raia o exibicionismo narcisístico.
3. Anule aliterações altamente abusivas.
4. não esqueça as maiúsculas no inicio das frases.
5. Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.
6. O uso de parêntesis (mesmo quando for relevante) é desnecessário.
7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.
8. Evite o emprego de gíria, mesmo que pareça nice, sacou??…então valeu!
9. Palavras de baixo calão podem transformar o seu texto numa m…
10. Nunca generalize: generalizar é um erro em todas as situações.
11. Evite repetir a mesma palavra, pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.
12. Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: “Quem cita os outros não tem ideias próprias”.
13. Frases incompletas podem causar
14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, não repita a mesma idéia várias vezes.
15. Seja mais ou menos específico.
16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!
17. A voz passiva deve ser evitada.
18. Utilize a pontuação corretamente o ponto e a vírgula pois a frase poderá ficar sem sentido especialmente será que ninguém mais sabe utilizar o ponto de interrogação
19. Quem precisa de perguntas retóricas?
20. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.
21. Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.
22. Evite mesóclises. Repita comigo: “mesóclises: evitá-las-ei!”
23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.
24. Não abuse das exclamações! Nunca!!! O seu texto fica horrível!!!!!
25. Evite frases exageradamente longas pois estas dificultam a compreensão da idéia nelas contida e, por conterem mais que uma idéia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçam, desta forma, o pobre leitor a separá-la nos seus diversos componentes de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.
26. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língúa portuguêza.
27. Seja incisivo e coerente, ou não.
28. Não fique escrevendo (nem falando) no gerúndio. Você vai estar deixando seu texto pobre e estar causando ambigüidade, com certeza você vai estar deixando o conteúdo esquisito, vai estar ficando com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo. E como você vai estar lendo este texto, tenho certeza que você vai estar prestando atenção e vai estar repassando aos seus amigos, que vão estar entendendo e vão estar pensando em não estar falando desta maneira irritante.
29. Outra barbaridade que tu deves evitar chê, é usar muitas expressões que acabem por denunciar a região onde tu moras! ..nada de mandar esse trem…vixi..entendeu bichinho?
30. Não permita que seu texto acabe por rimar, porque senão ninguém irá aguentar já que é insuportável o mesmo final escutar, o tempo todo sem parar.
Fonte: Professor João Pedro da UNICAMP.
Citado em http://www.senado.gov.br/sf/senado/portaldoservidor/jornal/jornal64/dicas_escreverbem

Treinando a nova ortografia

1) Como ficam essas palavras na nova ortografia?

Microondas
Feiúra
Ultra-som
Semi-sintético
Eles lêem
Saúde
Auto-controle
Ultra-elevado
Antialérgico
Idéia
Ante-sala
Antiinflamatório
Pólo Norte
Super-homem
Semi-real
Microônibus
Assembléia
Européia
Manda-chuva
Minissaia
Tranqüilidade
Desumano
Abençôo
Enxagúe
Pára-quedas
Co-edição
Descrêem
Chapéu
Müller
Cooperar
Constrói
Coréia
Ilhéus
Eles têm
Pingüim
Baiúca
Heróico
Anti-social
Argúi
Lingüiça

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Dicas para escrever melhor, por Cássia Diniz Moraes

1 Concordância
Você já deve ter ouvido falar sobre a famosa peça "Trair e coçar é só começar". É uma comédia que trata da relação entre dois casais que se metem em uma grande confusão por conta das atrapalhadas de uma empregada engraçadíssima. Mas o que quero ressaltar é o título. Perceberam que o sujeito é formado por dois verbos no infinitivo "Trair" e "Coçar" e por isso admitem o verbo no singular "é". Mas cuidado, se o sujeito for formado por verbos que expressem idéias opostas, ocorrerá o plural, por exemplo: Trair e Ser fiel são assuntos da peça. Antes de mais nada, vale a pena conferi-la, ok?
2 Regência
No padrão culto é preciso manter a regência determinada pelo verbo e, principalmente, quando seu complemento é um pronome relativo, a nossa tendência é omitir as preposições exigidas pelo verbo. Ouçam a música: "Ilegal, imoral ou engorda" do Biquini Cavadão. Ele diz "Tudo que eu gosto é ilegal é imoral ou engorda", mas o verbo gostar exige a preposição de. Portanto: Tudo de que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda. Inclusive errar na regência, não é mesmo?
3 Conjunção
Vamos falar sobre um trecho do “Soneto de fidelidade”, de Vinícius de Morais "Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure." A conjunção "posto que", no dicionário, é sinônimo de "embora", considerada de acepção concessiva. Mas no poema certamente não está neste sentido e sim como causal. Ou seja, “que não seja infinito porque é chama...” indica causa. Então não decorem aquela lista de conjunções adverbiais. O mais importante é saber interpretá-las já que uma mesma conjunção pode assumir significados diferentes em cada oração.