sexta-feira, 10 de julho de 2009

Dicas para escrever melhor, por Cássia Diniz Moraes

1 Concordância
Você já deve ter ouvido falar sobre a famosa peça "Trair e coçar é só começar". É uma comédia que trata da relação entre dois casais que se metem em uma grande confusão por conta das atrapalhadas de uma empregada engraçadíssima. Mas o que quero ressaltar é o título. Perceberam que o sujeito é formado por dois verbos no infinitivo "Trair" e "Coçar" e por isso admitem o verbo no singular "é". Mas cuidado, se o sujeito for formado por verbos que expressem idéias opostas, ocorrerá o plural, por exemplo: Trair e Ser fiel são assuntos da peça. Antes de mais nada, vale a pena conferi-la, ok?
2 Regência
No padrão culto é preciso manter a regência determinada pelo verbo e, principalmente, quando seu complemento é um pronome relativo, a nossa tendência é omitir as preposições exigidas pelo verbo. Ouçam a música: "Ilegal, imoral ou engorda" do Biquini Cavadão. Ele diz "Tudo que eu gosto é ilegal é imoral ou engorda", mas o verbo gostar exige a preposição de. Portanto: Tudo de que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda. Inclusive errar na regência, não é mesmo?
3 Conjunção
Vamos falar sobre um trecho do “Soneto de fidelidade”, de Vinícius de Morais "Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure." A conjunção "posto que", no dicionário, é sinônimo de "embora", considerada de acepção concessiva. Mas no poema certamente não está neste sentido e sim como causal. Ou seja, “que não seja infinito porque é chama...” indica causa. Então não decorem aquela lista de conjunções adverbiais. O mais importante é saber interpretá-las já que uma mesma conjunção pode assumir significados diferentes em cada oração.

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